Magnésio ou melatonina: qual ajuda mesmo a dormir?
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Magnésio e melatonina aparecem sempre na mesma conversa, como se fossem alternativas para a mesma coisa. Não são. Um regula o relógio do teu corpo; o outro ajuda os músculos a relaxar. Aqui explico o que cada um faz, quando faz sentido, e por que nenhum deles deve ser a primeira coisa que mudas.
O que faz a melatonina
A melatonina é uma hormona que o teu corpo já produz. Sobe quando escurece e diz ao cérebro que é noite. É isto que regula o ciclo sono-vigília.
Como suplemento, a melatonina não é um sedativo. Não te "desliga". O que faz é antecipar o sinal de noite. Por isso ajuda sobretudo quando o teu relógio interno está desalinhado: jet lag, trabalho por turnos, ou a tendência para adormecer e acordar tarde demais.
A produção natural também diminui com a idade, o que explica por que algumas pessoas mais velhas notam diferença. Doses baixas, na ordem de 0,5 a 1 mg, costumam ser suficientes. Mais não é melhor. O timing importa mais do que a quantidade: tomada perto da hora de deitar, a horas certas.
O que faz o magnésio
O magnésio é um mineral, não uma hormona. Participa em centenas de processos do corpo, incluindo a função muscular e nervosa. Ajuda os músculos a relaxar.
Na prática, o magnésio faz mais diferença a quem tem níveis baixos. Se tens cãibras, pernas inquietas ou tensão muscular à noite, pode valer a pena. As formas mais associadas ao sono são o glicinato e o bisglicinato, tipicamente entre 200 e 400 mg.
A evidência é mais modesta do que muita publicidade sugere. O magnésio não adormece ninguém. Cria condições para um corpo mais relaxado, e o resto vem daí.
Qual escolher, afinal
Depende do teu problema, não da moda.
Se o teu problema é de ritmo — adormeces tarde, mudaste de fuso, fazes turnos — a melatonina é a que faz sentido testar. Se o teu problema é de tensão — cãibras, músculos contraídos, agitação — o magnésio é o candidato mais lógico.
E se não souberes qual é o teu problema? Esse é precisamente o sinal de que nenhum dos dois é o primeiro passo.
Nenhum dos dois é a primeira linha
Vejo muita gente a comprar suplementos antes de mudar o básico. É ao contrário. Um suplemento, na melhor das hipóteses, afina. Não corrige um quarto com luz a mais, um telemóvel na cama, ou um colchão que já não te apoia.
Antes de pensares em magnésio ou melatonina, trata do ambiente e da rotina. Tens a lista completa no nosso guia de higiene do sono com 12 hábitos, e uma técnica simples para acalmar antes de dormir no método 4-7-8. Se quiseres aprofundar o tema dos suplementos em geral, escrevi sobre o que funciona e o que é placebo.
E a base de tudo é física: o colchão onde passas um terço da vida. Se desconfias que o teu já não ajuda, o guia para escolher o colchão ideal ajuda-te a perceber.
Antes de tomares qualquer um
A melatonina é regulada e nem todas as doses se vendem livremente. O magnésio em excesso tem efeitos, sobretudo intestinais. Nenhum dos dois é indicado a toda a gente.
Se estás grávida, a amamentar, tomas medicação ou tens uma condição de saúde, fala com o teu médico ou farmacêutico antes de começar. Isto não substitui aconselhamento médico.
Se a dúvida for sobre o lado físico do sono — colchão, almofada, posição — essa parte é comigo. Liga-me e em dez minutos ajudo-te a perceber o que faz sentido: +351 21 150 95 04.
Veja também
- Suplementos para dormir: magnésio, melatonina e o que diz a ciência
- Higiene do sono: 12 hábitos para dormir melhor em 2026
- O método 4-7-8: como adormecer mais depressa
Ana Cristina, Conselheira do Sono Dreamura