Divórcio do sono: dormir separados melhora o descanso?

O divórcio do sono não tem nada a ver com o fim de uma relação. É quando um casal decide dormir separado — em camas ou quartos diferentes — para descansar melhor. O nome é dramático. A ideia é simples: cada pessoa dorme onde dorme melhor.

Porque é que tantos casais dormem separados

Segundo um inquérito da American Academy of Sleep Medicine, mais de um terço das pessoas (35%) dorme, de forma ocasional ou regular, num quarto separado do parceiro. Entre os mais novos o número sobe: cerca de 43% dos millennials fazem-no com regularidade.

As razões repetem-se:

  • Um ressona e o outro acorda.
  • Horários diferentes: um deita-se às 22h, o outro à 1h.
  • Temperaturas opostas: um tem sempre frio, o outro calor.
  • Bebés, animais, ou um colchão que já não serve para os dois.

Dormir separados melhora mesmo o sono?

Na maior parte dos casos, sim. Os dados apontam para cerca de 53% das pessoas a relatar melhor qualidade de sono depois de passar a dormir separado, com uma média de mais 37 minutos de sono por noite. 37 minutos, todas as noites, pesa.

O ganho não é só descansar mais. Quem dorme mal fica mais irritável, com menos paciência e mais reativo. Quando o sono partilhado corre mal, é a relação que paga a fatura.

Não é o fim da intimidade

Dormir separado e ter intimidade não se excluem. A proximidade continua a acontecer. Só não passa a noite inteira num colchão onde nenhum dos dois descansa.

Se a decisão for tomada em conjunto e sem culpa, costuma correr bem. O problema aparece quando um dos dois sente que foi afastado. Fala sobre isto antes de mudar de quarto, não depois.

Antes de mudares de quarto, tenta isto

Nem sempre é preciso separar quartos. Há passos intermédios que resolvem grande parte dos casos:

  • Dois edredões, uma cama. É o chamado método escandinavo. Cada um regula o seu calor e ninguém rouba a coberta a meio da noite.
  • Um colchão que isole o movimento. Num colchão de molas ensacadas, o movimento de um lado quase não passa para o outro. Se o teu parceiro se vira e tu acordas, o colchão pode ser metade do problema.
  • Almofadas diferentes para cada um. Não têm de dormir na mesma almofada. O pescoço de cada pessoa tem necessidades próprias.
  • Ruído branco ou tampões, se o ressonar for ligeiro.

Se queres perceber que colchão isola melhor o movimento, vê a nossa gama de colchões ou fala comigo. Ajudo-te a escolher em poucos minutos.

Quando o problema é médico

O ressonar alto e constante nem sempre é só ressonar. Pode ser sinal de apneia do sono, que tem riscos para a saúde. Se o teu parceiro ressona muito, faz pausas na respiração ou acorda cansado apesar de dormir horas suficientes, vale a pena procurar um médico. Mudar de quarto resolve o teu descanso, mas não trata a causa.

Se este for o caso, lê primeiro o guia sobre porque acontece o ressonar e os sinais da apneia do sono.

Esta é informação geral e não substitui a avaliação de um profissional de saúde.

O que costumo dizer

Não há prémio por dormir na mesma cama a sofrer. Há casais que voltam à mesma cama meses depois, já a descansar. Outros ficam em camas separadas e ficam bem. As duas respostas estão certas. O que importa é dormires.

Veja também

— Ana Cristina, Conselheira do Sono da Dreamura

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